Elizabeth Bennet e a Invenção do Amor a Si Mesma que Atrai o Amor do Outro.

Nesta semana da mulher, de 1º a 8 de março, portais nerds feministas se juntaram em uma ação coletiva para discutir de temas pertinentes à data e à cultura pop, trazendo análises, resenhas, entrevistas e críticas que tragam novas e instigantes reflexões e visões. São eles: Collant Sem Decote, Delirium Nerd, Ideias em Roxo, Momentum Saga, Nó de Oito , Preta, Nerd & Burning Hell, Prosa Livre, Psicologia&CulturaPop, Valkirias, Kaol Porfírio, Série por Elas. #wecannerdit #nerdiandade #nerdgirl #feminismonerd #8demarço

Quem me conhece sabe que minha personagem feminina favorita é Elizabeth Bennet de Orgulho e Preconceito da Jane Austen.

Enquanto escreve esse artigo me bate uma vontade gigante de rever pela milionésima vez o filme de 2005.

Elizabeth Bennet é uma daquelas personagens que só se absorve a dimensão e profundidade dela quando se lê o livro.

Jane Austen criou mais que um livro de romance ao escrevê-lo em 1797 (vale ressaltar que ela tinha menos de 21 anos  quando escrever e o livro só foi publicado em 1813).

Ela criou uma voz feminina que se mantem fiel aos seus próprios valores e expõe as injustiças de seu tempo.

Jane Austen não julga!

Sim! Jane Austen retrata outras mulheres em suas limitações, mas sem o peso do julgamento moral. Eu acho isso incrível.

Elizabeth representa a tolerância que precisamos ter em nossa irmandade umas com as outras. Me deixa tentar te convencer do meu ponto de vista.

Em Orgulho e Preconceito nós temos a mulher que é amada por ser a mais bela do baile, a mais feia que se casa por conveniência, a jovem deslumbrada que envergonha a família, a mulher sem controle que sofre dos nervos, a intelectual que se isola do convívio social.

E mesmo com essas supostas limitações Elizabeth ama e aceita cada uma delas.

Sua ironia só é direcionada duas personagens femininas da nobreza e (na minha opinião) a soberba do nobre pesou muito na maneira como Jane Austen direciona a relação dela com essas duas “nobres”.

Em tempos que vivemos em pé de guerra e em disputas umas com as outras Elizabeth Bennet deveria nos servir de modelo.

Mulheres que apoiam mulheres em suas limitações, sem expor e romper laços por sermos e pensarmos de modo diferente.

Elizabeth: a mulher que se basta.

Como assim Flávia?!!! Você tá louca!!!!!

E o romance? E as cenas românticas que fazem nosso coração saltar pela boca? (no livro é muiiito mais intenso)

Calma!

Eu acredito que um dos elementos que fazem essa história atemporal é a foto de Jane Austen ter construído uma personagem que estava disposta (de verdade) a não aceitar menos que o amor.

Ela era seletiva (ahhhh meninas que nos inspiremos nela!). Não casaria fora do seu crivo de valores.

No universo da Inglaterra há 220 anos atrás isso significava pobreza e a completa instabilidade financeira para uma mulher (realidade muito bem retratada no livro).

Elizabeth estava disposta a arcar com as consequências de uma vida sem um marido. Pra ela isso era mais aceitável que um casamento sem seu coração.

As suas longas caminhadas, sua imersão nos livros, sua capacidade de observar o universo daqueles que a cercavam e seus diálogos internos consigo mesma nos revelam sua obstinação em colocar o amor próprio como central.

Os atributos para além dos olhos.

Logo no começo do livro temos a trágica experiencia dela ouvir o Mr. Darcy desdenhar dela em relação a seu porte e encantos.

Esse evento gera nela uma necessidade de colocar o Mr. Darcy em seu devido lugar!!!!!

Afinal pra ela ele se tornou desprezível.

Aqui eu vejo uma grande SACADA kkkk

Já que não havia nela intenção de impressioná-lo nos jogos de conquista, pois ela já havia jurado odiá-lo, ela se relaciona com ele sem mascaras, sem jogos, sem armadilhas afetivas.

Ela foi apenas ela, apenas uma jovem que amava a si mesma, aos seus valores e não se deixava deslumbrar pelas aparências ou dobrar pelas convenções.

Eu fico imaginando o nó que deve ter sido isso na cabeça do pobre Mr. Darcy kkkkkkkkkk.

Tadinho ele não tinha como resistir a uma mulher forte decidida a não conquistar seu coração.

Em resumo: o que conquistou o coração do Mr. Darcy foi a mulher sem suas máscaras. Mas até aí nada de fato é muito Uauuuuuuu.

Ela ter conquistado ele no mundo de Jane Austen não quer dizer nada. O que realmente quer dizer alguma coisa é o que conquista o coração de uma mulher que se ama.

Ações valem mais que palavras.

Sim meninas no universo de Jane Austen as ações são o grande diferencial. A caráter de um homem está na capacidade dele em assumir e agir em prol do benefício da mulher, independente, da recíproca dela.

É o homem que quer o bem e age pelo bem sem querer ou precisar mudar o que ela é.

E me CHOCA quem em pelo 2017 um homem do tipo Mr. Grey (de 50 tons de cinza) seja o motivo de suspiros. E me CHOCA mais ainda ter sido escrito por uma mulher.

Eu sou antiquada (ou moderninha tendo como referencial o contexto de Jane Austen).

Vejamos as diferenças:

Mr. Grey

  1. Tenta moldar a mulher ao seu estilo de vida
  2. Priva sua liberdade de escolha e estilo, possessivo
  3. Complicado emocionalmente (aquela velha armadilha do papel da mulher salvadora e “cura” o cara problemático, cai fora neh gente!!!!)
  4. Não sabe lidar com seus monstros
  5. Acha que sua grana impressiona
  6. Acredita que a última bolacha do pacote e etc …

Mr. Darcy

  1. Ama por quem ela é
  2. Respeita suas escolhas e se mantem amigável mesmo após a rejeição
  3. Bem resolvido (neh gente, o cara leva um fora fenomenal e fica tipo de boa, sem bancar uma de stalker)
  4. Passa por cima de seus preconceitos
  5. Sabe que não vai ganhar pontos por ter grana
  6. Se coloca a serviço do bem-estar dela e da família.

SIM!!!!!!!!!!!!!!!

Meninas eu sou antiquada.

Nenhum homem além do Mr. Darcy poderia atrair o coração de uma mulher como Elizabeth Bennet.

Jane Austen escreve sobre mulheres e sobre o que nós mulheres merecemos.

  • Primeiro: nos amarmos com e pelos nossos valores, mesmo que isso signifique não ter um relacionamento afetivo;
  • Segundo: sermos solidárias umas com as outras e não julgar, mesmo que a escolha seja contraria às nossas convicções;
  • Terceiro: um Mr. Darcy pra chamar de seu! Nada menos que um Mr. Darcy!

#partiu!!! Assistir Orgulho e Preconceito.

No primeiro texto falei sobre a mulher forte que não pode amar.

6 Comments

    • Flavia
      8 de março de 2017 / 11:32

      Brigada Mariana!!!!
      Jane Austen é apaixonante!!!!

  1. 8 de março de 2017 / 08:36

    Gente!
    Que post maravilhoso, Flávia!
    Eu particularmente gosto muito da Jane Austen, principalmente por tudo que ela representa e representou como um combate de injustiças sobre a mulher da época (até porque o que acontece com a Elizabeth acabou acontecendo com ela, né)! E porque adoro o jeito como ela escreve também haha
    A quantidade enorme de ironia presente em cada livro é impressionante. Tem um Thug Notes sobre esse livro que também é ótimo! 🙂

    Obrigada pelo post maravilhoso!

    • Flavia
      8 de março de 2017 / 11:39

      Oi Camila,
      Sou também apaixonada pela Jane (rsrsrs me sentindo a íntima rsrsrs).
      Me identifico demais com a ironia e da maneira que ela usa.
      Gosto muito de Razão e Sensibilidade também. Mas Orgulho e Preconceito é meu preferido.
      Dizem que não tem relação com a história dela, mas eu vejo tanta relação que na minha cabeça Elizabeth é ela rsrsrsrs

      Brigada pela apoio!!!!

  2. 13 de março de 2017 / 23:00

    Amei seu post. E cada detalhe sobre Mr. Darcy e o fato de Elizabeth não aceitar nada menos que amor. Eu sou assim, prefiro ser assim, a ter como companhia o cara errado. Ah e #abaixoMr.Grey.

    Bjs

    • Flavia
      15 de março de 2017 / 21:15

      Que bom Angélica!!! Fico feliz que tenha gostado. E o #abaixoMr.Grey foi ótimo!!! rsrsrs

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