Uma mulher forte pode amar e em troca amada ser?

Nesta semana da mulher, de 1º a 8 de março, portais nerds feministas se juntaram em uma ação coletiva para discutir de temas pertinentes à data e à cultura pop, trazendo análises, resenhas, entrevistas e críticas que tragam novas e instigantes reflexões e visões. São eles: Collant Sem Decote, Delirium Nerd, Ideias em Roxo, Momentum Saga, Nó de Oito , Preta, Nerd & Burning Hell, Prosa Livre, Psicologia&CulturaPop, Valkirias, Kaol Porfírio, Séries por Elas. #wecannerdit #nerdiandade #nerdgirl #feminismonerd #8demarço

A cultura pop está cada vez mais recheada de representações de mulheres fortes, determinadas, empoderadas e destemidas.

Me lembro que na minha infância eu achava horrível ver os filmes de Cowboy ou Ação com pai e a única ação de uma personagem feminina era gritar.

Ser a Donzela (representação típica da Dolores no início da 1ª temporada de Westworld) indefesa, frágil e vulnerável.

Os tempos mudaram e vimos alguns raios de esperança na representação feminina tentando quebrar esse estereótipo da Donzela Indefesa.

Mas ainda temos uma pedra de tropeço no meio do caminho. As mulheres estão cada vez mais fortes, determinadas e protagonistas de suas histórias, mas (ao que me parece) foram impedidas de amar.

Apesar de The Walking Dead ser uma série que mulheres fortes, ela ainda mantém vários estereótipos que são bem clichê:

  • A latina sexy (Rosita)
  • A lésbica desleixada (Tara)
  • A gordinha que cuida da comida (Olivia)
  • A adultera (Lori)
  • A mãe descontrolada (Carol)
  • A loira fútil (Beth)

Isso nos mostra que ainda temos muito em que avançar.

Seria o amor uma espécie de kriptonita feminina? Seriam os relacionamentos funcionais o que levaria uma mulher a ser a Donzela Indefesa?

Vamos olhar esse dilema contemporâneo a partir da Sasha de The Walking Dead.

Quem é a forte Sasha Williams?

Sasha era uma personagem recorrente que entrou para o elenco principal da série. Ela é uma das sobreviventes de Jacksonville, na Flórida, junto com seu irmão Tyreese.

Ela é uma das pessoas mais realista do grupo. Tenta não romantizar e se mantem distante emocionalmente.

Ela é uma eximia atiradora e em vários momentos da série desempenha a função de vigia no muro. Mostrando sua capacidade em julgar as ameaças com realismo e precisão.

Na série ela se relaciona afetivamente com Bob. Ele é uma espécie de resgate e estabilidade emocional pra ela. É a humanização dela na endurecida jornada de The Walking Dead.

Até aí foge BASTANTE do padrão normal em que a mulher desempenha esse papel de coadjuvante do protagonista masculino e serve como elemento estabilizador dele.

Só que essa relação não dura muito em virtude da morte de Bob.

Amor e Força não combinam?

Ahhh Flávia mas muita gente morre em The Walking Dead!!!!!

Sim eu concordo. A série é mais sobre perdas que qualquer outra coisa. Mas no caso da Sasha esse padrão se mantem quando ela inicia um outro relacionamento com o Abraham.

E mais uma vez ela perde o relacionamento pela morte dele.

A sensação que eu tenho é que em termos de representação feminina power, mulher e força, fossem incompatíveis com um relacionamento funcional e estável.

Eu imagino que realmente deve ser uma ideia pouco comercial. Sim, eu sei que os roteiristas e afins precisam quebrar paradigmas de forma sutil e meio que ir rompendo padrões gradativamente.

>> Afinal quem paga as contas quer e espera um produto de entretenimento rentável!!!! <<

Mas não muda o fato de que ainda me incomoda. Fico feliz por quase não ver mais as donzelas Indefesas.

Até em Westworld que tava com a maior cara que a Dolores iria se manter assim, ela subverte e diz que não quer mais ser a Donzela (claro que ainda sob influência do comando da voz masculina).

E claro, neh!!!! Deixou de ser Donzela e perde seu amor ao descobrir que ele era o vilão.

Conclusão

Ainda temos muito que caminhar nessa jornada para um lugar onde a mulher possa ser ela mesma, amar e ser amada com e pela sua força.

Onde a liberdade, autonomia e determinação não sejam uma ameaça ao outro.

No próximo texto dessa série em comemoração ao Dia Internacional das Mulheres vou falar da força feminina sobre a ótica de uma mulher. Uma força que não exclui o amor, mas que se integra a ele e fortalecem um ao outro.

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